Nessa mesma época, há exatamente um ano, passei o Natal com a sensação de que eu era apenas mais uma no mundo. O que quer dizer isso? Por mais que eu ainda estivesse muito envolvida com você - sou contra a teoria da cara-metade -, eu ainda era uma garota única, completa, responsável tanto por meus atos quanto pelas minhas loucuras. Se eu quisesse pegar um avião e me alistar como voluntário da ONU em Darfur, não haveria nada ou ninguém para me impedir.
Mas agora que você está do meu lado de novo, às vezes acho que isso mudou. E sinto que continua mudando a cada dia. A cada segundo que passamos juntos, a minha felicidade aumenta um quilômetro. Alguns anos atrás eu ficava louca quando você sumia e não me avisava. Hoje, dou risada como uma idiota quando você some e me deixa louca de saudades.Qual é a graça? A graça é que não sinto mais àquela solidão que eu vinha sentindo. Tenho você pra pensar, lembrar, chorar, ligar...
Hoje é meu primeiro Natal que eu não estou nem um pouco preocupada em ganhar presentes. Acho que você na minha vida já valeu por qualquer coisa que eu pudesse vir a receber. Acho que a exploração comercial da data é meio exagerada, mas também não vou ser uma daquelas chatas contra tudo. É que o maior presente é olhar no espelho e falar em voz alta “Você tá feliz de novo, garota!” e é óbvio que só faço isso quando tenho certeza de que não tem ninguém olhando: não gosto que as pessoas me vejam chorando.
Uma das coisas mais legais de estar ao seu lado é perceber que imediatamente todos os problemas do mundo parecem ridiculamente distantes. O que me importa a podridão do Congresso quando um simples beijo teu na minha barriga me faz chorar de rir? O que representa a prisão do maior traficante do mundo se você me faz assistir os capítulos mais que reprisados dos Simpsons? Vou me preocupar com esses problemas no futuro, mas agora não estou nem aí. Quero apenas continuar no teu colo e sonhar que o mundo é perfeito...
E que venham os próximos, e próximos, e próximos...