sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Já quase terminando o ano... Surpresas!!

Sujeitinho atrevido. Voltou sem pedir licença. Anda pelas ruas sem dar maiores explicações. Respira por aí impunemente. Quem ele pensa que é pra passar a existir assim sem mais nem menos? Não permito. Nem adianta chegar assim trazendo o sol pelo braço, com esse sorriso pendurado no rosto, tocando seu pandeiro. Não, não permito que me invada assim feito brisa, com tanta leveza. Eu, que tenho o peso de tantas culpas, nunca conseguirei flutuar para acompanhá-lo, não vê? Sou noite sem lua, feita de matéria densa e escura, não posso conviver com tua claridade. Por que insiste tanto em me amanhecer? Em mim nunca houve aurora, escutou? Não, claro que não, banhado em música, como haveria de perceber o silêncio em que me afogo? Por que insiste tanto em me resgatar? Por que chega de mansinho e me põe a dançar quando tudo o que eu queria era findar? E esses pés, que fazem eles, que não me respeitam mais e o acompanham como se tivessem sempre sido seus? Os olhos fecham-se, agora, e a ousadia da sua imagem escorrega, banhando-me de uma calmaria que abala o meu descompasso. Como se atrevem, você e essas partes todas de mim? Amor atrevido! Nasce assim, sem pedir licença! Corre pelas minhas artérias e veias, marcando território por todo o meu corpo. Nada mais me pertence. Meus sonhos, meus medos, as coisas que sou e não sei, as coisas que quero e não fui. Tudo agora parece mais leve, mais colorido, mais surreal. Como posso impedir o inevitável se já não sou o que era momentos atrás? Se agora, o que mais quero é deixar que o sol me carregue pelo braço, flutuando numa dança sensual, que me embota os sentidos e penetra as minhas entranhas, até que um um novo dia aconteça.