O que me dói é que as fotos são sempre as mesmas... Não ouve comigo as novas músicas das minhas bandas preferidas, não me viu prestar os últimos vestibulares, não vai me ver levar o trote e não fez mais as melhores reclamações. Não sei se está usando barba, não conhecemos a Espanha. Não lhe contei "quem matou Taís" antes do último capítulo, não assistiu todos os filmes de romance que eu emprestava, e me deixa indo no cinema sozinha. Não foi ao show do Barão. As histórias que viveu, de tantas vezes contadas, já nem sei mais como aconteceram de verdade... Inúmeras palavras não ditas, novidades não contadas, fotografias não tiradas; e eu ainda sinto saudades... E digo isso sabendo que pra sempre vou sentir. Às vezes quando eu quero lhe contar alguma coisa, dar um telefonema ( o nome ainda na agenda) eu me lembro (metade ainda triste, metade já serena) que eu não posso. Mas aí eu me lembro também (inteiramente feliz) que eu não preciso. Pois ele sempre soube de tudo.
A dor vem e vai, mas às vezes é cruel. É cruel não poder discutir com ele as últimas notícias, não contar com seu abraço, não ligar pra ele sem motivos. Mas o mundo não parou para ninar. Acho que eu não sou mais tão feliz, mas prefiro acreditar que tudo que aconteceu foi um presente que ganhei. Hoje eu sinto falta, mas saí vitoriosa. =)