Que coisa é a vida... Que coisa pior ainda é o tempo... Eu sabia fazer pipa, hoje eu não sei fazer mais... Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguiria equilibrá-la na dobra do dedo indicador, quanto mais jogá-la com precisão como fazia antigamente.Outra coisa: Acabo de procurar no dicionário o significado da palavra "gude". Quando era criança nunca pensei nisso, eu sabia o que era gude, gude era gude.
Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, ao assoprar tirava-se um som que variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse.
Eu sabia a fórmula para fazer cola caseira, algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha. Hoje não sei mais que receita era esta.
Eu começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números.
Havia uma folha que a gente dobrava de um jeito e ela rachava fazendo um formato de coração. Nunca mais encontrei a tal folha.
Tinha um jogo que a gente colocava todas as peças no rosto de um palhaço dentro de um determinado tempo, se você estourasse os minutos o boneco se destruía todo. Nunca mais achei esse jogo.
Na verdade, deve-se revisar aquela frase; É vivendo e desaprendendo. Não falo daquelas coisas que deixamos de fazer porque não temos mais as condições físicas ou coragem de crianças, falo da sabedoria desperdiçada, das artes que nos abandonaram. Algumas até úteis...
Quem nunca desejou ter um cuspe certeiro de garoto para acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho, e depois sair correndo? Eu já...