quarta-feira, 28 de maio de 2008

"Os sem-noção"

No meu aniversário (não lembro qual ano), fiz um churrasco na minha casa com quase todos os meus amigos. A festa estava super animada até que surgiu a ficante de um amigo meu, que transformou o meu aniversário digamos assim, numa festa ridicula: Ela entrou na festa chorando e já foi contando pra todo mundo aos prantos que o pai dela havia falecido.
Você pode imaginar o transtorno que isso causou. As meninas ficaram super preocupadas tentando de alguma forma confortá-la, entravam e saíam da minha sala, divulgando supostas razões para a morte; eu fiquei do lado de fora com os homens, já bêbados, discutindo na varanda se o 'show devia continuar', ou seja, se deveríamos terminar ou não a festa em respeito a garota. Resumindo: uma desconhecida estragou a minha festa com um monte de gente legal.

Ela agiu como uma típica garota sem-noção. Não lembro mais dos detalhes da morte do pai, mas não era nada que não pudesse esperar o dia seguinte. E por que não esperar minha festa acabar? Porque gente sem-noção é assim: sem-noção. Para completar, esse casal ficou até tarde na minha casa mesmo quando todos já tinham ido embora e eu tive que agüentá-la resmungar a noite inteira. Pensei em sugerir que eles verificassem se a churrasqueira ainda estava acesa e trancá-los fora de casa, mas meu namorado não concordou. Na minha opinião, ele foi 'com-noção' demais. Mas essa já é outra história.
É duro descobrir o sem-noção antes da primeira mancada. Mas a partir dela, é impossível ficar indiferente. É uma pena que as pessoas não tenham aulas de bom senso na escola: evitariam várias situações indesejáveis.
Enquanto isso não ocorre, temos que conviver com as várias espécies de sem-noção: a 'sem-noção-sem-vergonha', que sai com todo mundo e depois faz cara de paisagem; a 'sem-noção-de-grana', que acha que cartão de crédito não é dinheiro; a 'sem-noção-fechadura', esperta como uma porta... E por aí vai.
É claro que também existe o homem sem-noção. Mas é fácil reconhecê-lo: é o cara que promete te levar ao cinema no sábado à noite, mas só sai de casa três minutos antes de começar a sessão. Ou seja: ele perdeu a noção, mas quem perde o filme é você.
Você pode até gostar de alguém sem-noção, mas deve ter em mente que vai se meter em alguma roubada mais cedo ou mais tarde. Ou mais cedo E mais tarde, o que é bem mais provável...

domingo, 25 de maio de 2008

E quem tem pudor quando ama?

Me fiz essa pergunta como quem se perguntasse as horas. A ouvi e, silenciosamente, achei que me caia bem como uma luva. Mas não contei.
"E quem tem pudor quando ama"? Levantei-me da mesa como se fugisse dessa frase.
É Nelson Rodrigues, em "A Vida Como Ela É", um diálogo entre duas irmãs: uma santa, e a outra finge que é. A que finge, rouba o namorado da outra, então ocorre o dialogo entre as duas.
"E quem tem pudor quando ama"? Acendi a luz do banheiro, sem nem mesmo precisar procurá-la. Já sabia onde estava. E a pergunta martelava na minha cabeça, como se quisesse me dizer alguma coisa. Foi aí que entendi. Essa pergunta não era uma pergunta.
Voltei pra mesa em 2 minutos que solucionaram enfim as questões que, fazia tempos, estavam sem respostas.

"E quem tem pudor quando ama"? Desculpe-me, eu não tenho.

Chame a falta de pudor do que quiser: falta de vergonha na cara, falta de amor próprio, loucura, idiotice. Neste caso, chamo de paixão. E olha que paixão e pudor são duas coisas que não tem nada a ver. Água e óleo. Não se misturam. Paixão e razão não moram na mesma casa. Paixão te rasga a roupa enquanto a razão cata os pedaços no chão. Paixão te entrega num suspiro profundo e ardente, enquanto a razão te pede para acalmar. Paixão faz você fechar os olhos bem forte e deixar os sentidos guiarem seu atos enquanto a razão.. a razão foi embora. Paixão faz você perder os sentidos e perder a razão.

"E quem tem pudor quando ama"? Finalmente, estou perdoada.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Caso sério


Estava voltando da faculdade outro dia, quando encontro um conhecido, petista que só, e como sempre ele vem com aquela merda de conversa sobre política - até aí, sapos se engole, mas é também daí que ele começa a me provocar me acusando de burguesinha e tentando me convencer que o Lula é o defensor dos fracos e oprimidos!

Eu particularmente estou com uma puta dor de cabeça, pois não tem nenhum que pelo menos me desse um fio de esperança. Aliás, eu tenho quase certeza que estes putos, acreditam, piam e mentem que, só a esperança deles será a última a morrer, mas vamos lá!

Quando se tem um presidente que diz que a oposição está só destilando veneno, deve ser porque ele só gosta de DESTILADO DE CANA e quiçá do puro MALTE...

Na boa, confere comigo: Sou muito mais Chapollin Colorado ou Polegar Vermelho, este sim o GRANDE defensor dos povos da América Latina, que sabe que quando a população latir, eles vão medrar!!

terça-feira, 20 de maio de 2008

TEMPO

Um pouco de distância
faz um grande bem,
para a amizade
e o amor
também.

A 'ausência' aumenta
os sentimentos,
cria esperança
e demanda uma
idéia melhor
da pessoa
amada.

O coração privado de
seus objetivos, é
tomado com
mais força
pelo
amor, porque o espírito
está com ele mais
graciosamente
ocupado.

sábado, 17 de maio de 2008

Reencontro


Hoje a tarde, reencontrei com uma menina que há muito tempo não via. Talvez nem lembrasse mais que um dia a conheci, mas no decorrer do dia-dia, com o passar do tempo, às vezes calmo como as tardes de domingo, ora agitado como o próprio homem, me faziam recordar das suas histórias, das suas tristezas, dos seus dramas, da sua solidão. Sempre assisti bem de perto tudo o que acontecia na sua vida, embora ela nunca tivesse a coragem para se abrir com alguém. Escondia seus segredos até de si mesma, estampava no rosto a fortaleza que almejava ter, e era admirada por isso; sempre ouviu de todos, inclusive de mim, que era muito madura para seus poucos anos de vida, mas ela nunca pôde entender o que aquilo significava.

Mesmo com pouca idade, teve que aprender como crescer vivendo em uma guerra; guerra essa, que chamava de lar. Sem nunca saber onde se proteger da tempestade, escondia-se no escuro debaixo da cama de seu quarto, esperando que aquilo acabasse logo. Frequentemente se perguntava por que carregava toda aquela frieza, quando sabia que todos haviam ajudado a construir os muros em volta de si que contruiu.
Não sinto saudades dela... De vez em quando, esta menina me deixava perplexa por tamanha frieza. Isso me irritava. Presenciava sua vida ser destruída aos poucos e ela não chorava. Seu pai saiu de casa levando tudo o que lhe pertencia consigo, disseram-me que estava morando agora na Barra. Sua mãe ficou por um tempo internada, havia desenvolvido uma doença grave. A menina só foi visitá-la uma única vez, mas teve a sensação de que a mãe não a reconhecera. Confessou-me um tempo depois que não aguentava olhar para os seus drenos, por isso não voltaria ao hospital. Seu irmão ficou maluco, deixou o cabelo crescer e depois encheu de dreads, parou de estudar, falar e comer, de vez em quando batia com a cabeça na parede.
Sombras passam a noite por uma abertura na porta. Ecos de uma criança ferida gritando - "por favor, parem!" - Talvez nunca entendam o dano que causaram, ainda que seja apenas uma memória, nela permanece vivo. Vivenciara tudo isso e ainda assim, não chorava... No reveillon foi empurrada degraus frios abaixou, e enquanto olhava seus machucados na escada, eu batia ainda mais. Tripudiei em cima daquela criança até que chorasse copiosamente tudo o que havia guardado. Finalmente consegui devolver sua sensibilidade que tanto lhe faltava.

Depois desse dia, nunca mais a vi. Me assustei ao encontrá-la hoje já crescida, cursando a faculdade, e encaixotando algumas coisas para sair de casa. Contou-me que precisava viver a sua vida, e eu não sei bem o que ela quis dizer com isso. Eu disse que queria abraçá-la e ela se encarregou do resto. Perguntou-me se sentiria saudades dela, se poderíamos nos encontrar de vez quando.
- Você é eu. Declarei.
- Como posso sentir saudades de mim mesma?
Sem olhar para trás, ela saiu pela porta da frente e deixou a chave pendurada na fechadura. Acho que quis dizer com esse gesto que não voltará mais.

Hoje, sei que ainda demorará muito tempo para nos reencontramos novamente. Mas graças à ela, atualmente dou muito mais valor as pessoas ao meu redor, observo mais as bonitas imagens que posso ver através dos meus olhos, e presto mais atenção em tudo: nas areias que voam com a brisa do mar ou nas três cores do pôr-do-sol. Sempre que penso nela grito meu desejo dentro do oceano. Acredito que a resposta que vier, será para o bem de nós duas...



sexta-feira, 16 de maio de 2008

Meu Eu Lírico...

Outro dia, uma personagem típica de Eça de Queiroz, veio reclamar no meu orkut sobre as coisas que escrevo no meu blog. Dizia que eu não escrevia nada romântico, que me declarava para o seu noivo, e num tom bem ameno, completou afirmando que eu criticava a Surfistinha, mas proferia o mesmo erotismo que ela, sugerindo portanto, que eu também escrevesse um livro.
É evidente que qualquer um tem o direito de criticar todos os meus textos, aliás, tenho publicado aqui vários; em número suficiente para não ser necessário atribuir-me algo que nunca escrevi.
É só reler! Tentar outro tipo de interpretação! Sim, porque não basta só saber escrever no padrão e ironicamente.
(Após saber que meu blog vem sendo freqüentado assiduamente, achei a idéia do livro um tanto plausível, mas tenho receio que no futuro venham me cobrar participação nos lucros da minha obra quando eu for indicada ao Nobel da Literatura).

Jamais - jamais, insisto - Alguém encontrará aqui mensagens subliminares ou personagens reais. Minhas ficções só pretendem passar sensações realistas, sinceras. A personagem precisa sofrer, para que eu não sofra.
Tudo que escrevo não tem destinatário, apenas o que faço é digitar aqui o que já senti, relatar através da narradora o que nunca jamais aconteceu, ou transformar experiências vivenciadas em prosa, conto ou poesia.

Peço desculpas a quem achou que o meu blog fosse "assim, tipo-um-diário", interpretando tudo ao pé da letra. Imaginar que é verdade irrefutável tudo o que se lê é um tanto perigoso. 'É como se a notícia de um estupro tornasse o repórter defensor da violência, como se a descrição de um câncer por um médico pudesse ser interpretada como um conselho para desenvolver um, como se a descrição de uma bomba significasse joguem...'
Estou aqui apenas tentando me libertar de rédeas, expondo ao mundo a minha implacável verdade, mesmo que isso gere conflitos quase impossíveis de administrar - mas não para mim!



E viva a liberdade de expressão...
Hipócritas!!!!!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quase não teria sido, mas foi...

Noite tenebrosa, e o que mais me assusta é que por muito pouco jamais teríamos nos conhecido.
Não teria sido conhecedora do ciúme, não teria reparado na quantidade de carros iguais aos seus que circulam pela cidade e como a fisionomia dos motoristas de pálio sempre lembram a tua, não teria escutado que sou dissimulada igual à Capitu, mas que felizmente tenho em mim um pouco mais de Lóri.
Não sentiria minhas pernas adormecerem toda vez que você fizesse. . . . . . . . . podendo morrer a qualquer momento e me alegrar por isso.
Não teria deixado uma vida para trás por causa dessas coisas de letras e certamente estaria completamente perdida e frustrada com as disciplinas do Direito.
Nunca me daria conta sobre o verdadeiro motivo de sempre que a solidão me encontra precisar ir até o mar ou saber que ao ser trocada por seus filhos em um final de semana seria capaz de compreender e sorrir em instantes.
Não teria a idéia de que quando se apaixonasse por outra iria dizer que não me importava, contradizendo tudo aquilo que eu havia repetido durante toda uma vida.
Não teria sido deixada e empurrada pro maior fundo do poço que já existiu, não descontaria isso em todos os caras que vim a me relacionar, não saberia que quando a tristeza é muito intensa não sou capaz de chorar, não culparia todos os dias uma só pessoa por tudo que vem a dar errado.
Não passaria o meu aniversário e o Natal com dúvidas se deveria celebrá-los ou não, jamais esperaria durante o ano inteiro por uma certa data apenas para dar um telefonema, não saberia que posso ser quem realmente eu sou, e mesmo assim, ser querida pela maioria.
...E o que mais me assusta é que por muito pouco jamais teríamos nos conhecido.

sábado, 10 de maio de 2008

10 de maio

Quando da espera
o desespero aflora,
De repente a lembrança,
de que, mesmo com o tempo nublado,
O sol sobre as nuvens se encontra,
Assim como a certeza
de que por mais escura que esteja a noite,
em algum lugar,
A lua e as estrelas estão a brilhar.
Transporto-me para estes lugares,
Respeitando o dia e a noite,
a chuva e o sol.
..Faz parte da vida?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Duas vidas

Passaram duas crianças por aqui:
Uma, a mãe trocou o carrinho pelo seu colo,
Carregando-lhe sobre a areia.
Pude ver seus olhinhos,
Seu corpinho, seu sorriso.

A outra que estava dentro de mim,
Só pude ver a alma.
Se foi...
(mas nos encontraremos mais tarde).

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Não estás

Antes, apenas as noites pareciam intermináveis,
Uma enxurrada de pensamentos buscando lembranças claras.
Agora, é o tempo todo buscando você,
A sua presença.
Deitar meus olhos em seu ser mais profundo.
Ouvir sua voz vinda de dentro do meu peito.
Apertar suas mãos contra meu coração,
Que parece saltar de mim.
Querer vê-lo já não me basta.
Grito tão profundo em minha alma,
Que só eu escuto.
Ameniza saber que de tanto querer,
Talvez até tenhas me escutado.
Já não percebo as horas,
Deve ser tarde ou cedo, não sei.
Está escuro.
Escuro tanto quanto fica a minha vida,
Sem a claridade de sua presença.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Não confundo os desejos...

Divida comigo suas linhas tortas, porque as minhas já acabaram e eu não quero chegar ao fim. Venha aqui, estale as minhas costas e me faça acreditar que no campo de possibilidades a gente se abraça. Olhe para o lado e tenha a certeza de que “é ela!”. Passe a primeira, acelere e não me deixe jamais olhar pelo retrovisor.