Noite tenebrosa, e o que mais me assusta é que por muito pouco jamais teríamos nos conhecido.
Não teria sido conhecedora do ciúme, não teria reparado na quantidade de carros iguais aos seus que circulam pela cidade e como a fisionomia dos motoristas de pálio sempre lembram a tua, não teria escutado que sou dissimulada igual à Capitu, mas que felizmente tenho em mim um pouco mais de Lóri.
Não sentiria minhas pernas adormecerem toda vez que você fizesse. . . . . . . . . podendo morrer a qualquer momento e me alegrar por isso.
Não teria deixado uma vida para trás por causa dessas coisas de letras e certamente estaria completamente perdida e frustrada com as disciplinas do Direito.
Nunca me daria conta sobre o verdadeiro motivo de sempre que a solidão me encontra precisar ir até o mar ou saber que ao ser trocada por seus filhos em um final de semana seria capaz de compreender e sorrir em instantes.
Não teria a idéia de que quando se apaixonasse por outra iria dizer que não me importava, contradizendo tudo aquilo que eu havia repetido durante toda uma vida.
Não teria sido deixada e empurrada pro maior fundo do poço que já existiu, não descontaria isso em todos os caras que vim a me relacionar, não saberia que quando a tristeza é muito intensa não sou capaz de chorar, não culparia todos os dias uma só pessoa por tudo que vem a dar errado.
Não passaria o meu aniversário e o Natal com dúvidas se deveria celebrá-los ou não, jamais esperaria durante o ano inteiro por uma certa data apenas para dar um telefonema, não saberia que posso ser quem realmente eu sou, e mesmo assim, ser querida pela maioria.
...E o que mais me assusta é que por muito pouco jamais teríamos nos conhecido.