quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um exagero de professor

Na próxima semana, termino o semestre na faculdade e hoje, fiquei sabendo qual será o tema do trabalho final: produzir um texto descrevendo o professor mais importante que já tive.

Queria escrever muitas coisas, já tive vários professores e por que não, professoras incríveis, gostaria de poder homenagear cada um deles neste trabalho final, mas começando a redigir o texto percebi que a dificuldade do trabalho não estava em escrever no padrão e corretamente. O desafio maior seria a escolha que teríamos que fazer. Selecionar um único professor entre mais de quarenta durante a época escolar. Dezenas de pessoas a quem devo toda a minha vida.

Hélio Ricardo, tive a oportunidade de ter aulas de Redação com ele apenas por dois anos, mas gostei tanto que se você está lendo esse texto agora, pode ter certeza de que a culpa é dele. Hélio não me deu apenas aulas, ele escolheu a minha carreira.
Aconteceu tanta coisa esse ano, tanta coisa que eu gostaria de contar a ele, de pedir sua opinião... Reproduzo aqui, em homenagem ao mestre que infelizmente eu perdi o contato, mas com grande emoção ao lembrar das melhores terças-feiras que já tive.

Hélio, foi a pessoa mais inteligente que já conheci. Lembro quando entreguei a primeira redação(horrível) e não sei por que nem como, ele elegeu a melhor que já tinha lido nos últimos tempos. Me elogiou na frente da turma inteira, e eu morri de vergonha - e de felicidade, claro. Não é qualquer dia que você é eleita "a melhor" por uma pessoa que você admira - talvez ele deve ter visto alguma coisa ali; não sei dizer o que era, porque o Hélio tinha isso de ser meio misterioso. Ou estranho, dizem alguns. Algumas vezes eu mostrava uma série de redações com dezenas de temas e ele lia, olhava para mim e me devolvia as folhas sem dizer nada. Era frustrante? Muito. Mas aí eu percebia que tinha que adivinhar o que era bom e o que era um lixo. Acredite, isso ensina muito.

Ensinar, aliás, é o que ele fazia de melhor. Eram grandes aulas. Não só no sentido professoral da palavra, mas no modo de dar uma notícia qualquer e ressaltar o que era importante e o que não era. Um detalhe pequeno, que você nem dava bola, podia ser a coisa mais interessante do mundo; bastava saber olhar. E isso foi uma coisa que o Hélio ensinou não apenas a mim, mas aos inúmeros alunos que se entristeceram ao saber que não o teriam mais como mestre no próximo ano.
Na escola, mais precisamente no 2º ano, eu era represente de turma e escrevi um projeto para a coordenação sobre um curso de redação à parte com o Hélio. Todo mundo adorou a idéia. Durante alguns meses criamos uma turma que mantém pouco contato, mas muito carinho até hoje: Fernanda`s, Léo, Popota, Vivian, Lilian, Piero, Clara e vários outros. A gente se fala de vez em quando; gostaria que fosse mais frequente.

Saudades dói pra burro (ele ia odiar ler 'pra' em vez de 'para'). Já estou com saudades de ver o Hélio todo durão dentro de sala, e um doce no corredor; todos os dias vestido de preto me olhando por cima dos óculos pronto para contar suas piadas disfarçadas de seriedade que me faziam rir durante minutos; das redações se acumulando em pilhas e pilhas na sua mesa; do que ele escrevia nas dissertações após corrigi-las e ficava genial. Ainda bem que guardei minhas.

A última vez que falei com o Hélio foi em 2006 numa formatura. Falei que já tinha prestado o vestibular e que estudaria para o próximo em outra escola, mas nem precisava: ele já sabia de tudo. E com detalhes. Mas hoje eu me arrependo: eu deveria ter esticado mais a conversa e ter falado muitas vezes o quanto eu o admirava, deveria nunca ter faltado as suas aulas, deveria ter dito que não queria que perdêssemos o contato, deveria ter invadido mais a tradicional sala dos professores nas terças-feiras. Mas a vida é assim, a gente nunca sabe o que nos espera no ano seguinte. Nunca temos tempo para nada, tudo que realmente importa é deixado para amanhã. Ou para a semana que vem.

A cada texto, a cada frase que eu escrevo, eu imagino o Hélio lendo e comentando. Me lembro de sempre ir para o próximo texto, tentando imaginar o que eu poderia fazer para impressioná-lo, para que ele me chamasse na sala e dissesse: 'Ah! Carol, gostei da dissertação!', ou algo do tipo. Mas isso também não era sempre. Às vezes ele me chamava e dizia: "leia bem isso que você escreveu". E só. Eu tinha que adivinhar o que era. Nem sempre adivinhava, mas a vida é assim mesmo.

Estou um pouco perdida em um mundo onde gente como Hélio é cada vez mais rara. Sei que tenho a obrigação de ser 'o Hélio' de amanhã, mas a responsabilidade é muito grande. Assusta.
Agora só resta fechar os olhos, continuar a estudar e parar de vez em quando para me perguntar: "o que será que o Helio acharia deste texto?" Ele abaixaria os óculos, olharia de volta para mim e não diria nada.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ex amigos, sempre colegas.

Foto: Casa da descoberta (UFF) 2005


Nos últimos finais de semana, tenho saído pra vários lugares de Niterói (que a PUC me perdoe) e reencontrado os amigos da época de escola que há muito tempo não via. Quer dizer, alguns amigos, já que outros não são mais localizados ( Marcel, Bugica, cadê vocês???), outros dão o cano (né Clara, né Fernanda`s?) e vários simplesmente ficam de fora por diversas razões.

Apesar de não encontrar alguns deles há anos, eu já sabia o que ia encontrar antes mesmo de vê-los: o cabeludo, quem diria, teria ficado careca; a garota mais linda da classe engordara 10 quilos; o encrenqueiro que matava aula e sentava no fundão da sala havia passado no vestibular.

Bem, foi quase isso, apesar dos exemplos não serem exatamente esses (não posso citar os casos verdadeiros pois correria o risco de não falarem mais comigo). As perguntas entre nós também são sempre óbvias: 'O que você anda fazendo?', 'Passou no vestibular?', 'Em qual faculdade está ?' 'Ainda está namorando?' 'Ainda tem contato com fulano?' , etc.

As respostas, porém, são sempre diferentes do que eu espero. Acho que porque na minha cabeça aquelas pessoas ainda estão no mesmo lugar onde as deixei alguns anos atrás, crianças sem a menor noção do que o destino lhes reservaria. Não, o garoto bom de bola não virou jogador famoso de futebol; A melhor aluna da turma não passou no vestibular; a menina que parava o corredor não se tornou modelo internacional.
Surgiram tantas variáveis no caminho, tantas realidades possíveis e impossíveis, tantos futuros que não estavam escritos naqueles antigos cadernos...
E, no entanto, são todos exatamente os mesmos indivíduos, os rostos daquela época com pequenas mudanças na fisionomia . E isso foi o mais engraçado: pareciam apenas ter tomado um banho de tempo e trocado o uniforme pelas roupas do final de semana que agora usamos para a faculdade.

Não quero dar um ar de melancolia aos encontros, pelo contrário. Rimos muito lembrando como éramos ingênuos e idealistas. Me senti novamente no pátio do colégio durante o recreio, esperando o sinal tocar para voltar para a sala. Mas aí cheguei em casa, me olhei no espelho e não vi mais aquela menina de uniforme, preocupada com a prova de física do dia seguinte.
Ou melhor: para falar a verdade... eu vejo essa menina, sim. Ela ainda sou eu.


sexta-feira, 6 de junho de 2008

Morto Rio

Fui ao show do Caetano Veloso na última quarta-feira no (Vivo?) Rio. A organização do show foi péssima: como é possível você tratar como gado alguém que pagou pelo ingresso? Os preços das bebidas eu não vou comentar, nem no exterior uma cerveja e um energético são tão caros assim! Fora que eu perdi metade do show porque toda vez que eu ia comprar uma bebida, o garçom tinha que ir do outro lado do palco para buscar a maquininha do cartão e, enquanto isso, ele mandava eu ser a "guardiã das cervejas" e não deixar ninguém roubar nada, dá pra acreditar?!
Será que é tão difícil para uma empresa dimensionar esse tipo de serviço?

Já que estou destilando a revolta, quero parte do dinheiro do ingresso de volta também. Não consegui aproveitar a Banda Cê e a voz do Caetano porque o volume para nós, da pista superior, estava super baixo!! Parecia mais música de elevador... Será que os (des)organizadores não podiam ter um pouquinho de respeito com o público? O show terminou 11:30, até o show da Xuxa deve terminar mais tarde. Se o festival fosse na Europa, eles seriam apedrejados. Com razão.
E as músicas? Fiquei tão chateada com a escolha do repertório que no meio do show quase fui embora. Eu não consigo entender por que os críticos falaram tão bem. O show foi muito chato! E olha que eu adoro Caetano, mas aquele tipo de apresentação não era para se ver ao vivo, no meio da multidão, etc. Era um show para a gente prestar atenção nos detalhes, ouvir as texturas... Isso só dá pra curtir no DVD em casa.

Só mais uma coisa: quem será a estilista do Caetano? Sempre achei que o objetivo de um figurino era deixar alguém mais bonito, mais elegante, mais sexy, mais chique, ou tudo isso junto. Ele está parecendo mais velho do que nunca! Aquela combinação de roupa - SOCORRO!

Desculpe a revolta, mas eu não aguento ficar quieta. Para mim, não foi Vivo Rio: foi Morto Rio.
Caetano que me perdoe, mas a gente com certeza NÃO se vê no ano que vem!!