terça-feira, 10 de junho de 2008

Ex amigos, sempre colegas.

Foto: Casa da descoberta (UFF) 2005


Nos últimos finais de semana, tenho saído pra vários lugares de Niterói (que a PUC me perdoe) e reencontrado os amigos da época de escola que há muito tempo não via. Quer dizer, alguns amigos, já que outros não são mais localizados ( Marcel, Bugica, cadê vocês???), outros dão o cano (né Clara, né Fernanda`s?) e vários simplesmente ficam de fora por diversas razões.

Apesar de não encontrar alguns deles há anos, eu já sabia o que ia encontrar antes mesmo de vê-los: o cabeludo, quem diria, teria ficado careca; a garota mais linda da classe engordara 10 quilos; o encrenqueiro que matava aula e sentava no fundão da sala havia passado no vestibular.

Bem, foi quase isso, apesar dos exemplos não serem exatamente esses (não posso citar os casos verdadeiros pois correria o risco de não falarem mais comigo). As perguntas entre nós também são sempre óbvias: 'O que você anda fazendo?', 'Passou no vestibular?', 'Em qual faculdade está ?' 'Ainda está namorando?' 'Ainda tem contato com fulano?' , etc.

As respostas, porém, são sempre diferentes do que eu espero. Acho que porque na minha cabeça aquelas pessoas ainda estão no mesmo lugar onde as deixei alguns anos atrás, crianças sem a menor noção do que o destino lhes reservaria. Não, o garoto bom de bola não virou jogador famoso de futebol; A melhor aluna da turma não passou no vestibular; a menina que parava o corredor não se tornou modelo internacional.
Surgiram tantas variáveis no caminho, tantas realidades possíveis e impossíveis, tantos futuros que não estavam escritos naqueles antigos cadernos...
E, no entanto, são todos exatamente os mesmos indivíduos, os rostos daquela época com pequenas mudanças na fisionomia . E isso foi o mais engraçado: pareciam apenas ter tomado um banho de tempo e trocado o uniforme pelas roupas do final de semana que agora usamos para a faculdade.

Não quero dar um ar de melancolia aos encontros, pelo contrário. Rimos muito lembrando como éramos ingênuos e idealistas. Me senti novamente no pátio do colégio durante o recreio, esperando o sinal tocar para voltar para a sala. Mas aí cheguei em casa, me olhei no espelho e não vi mais aquela menina de uniforme, preocupada com a prova de física do dia seguinte.
Ou melhor: para falar a verdade... eu vejo essa menina, sim. Ela ainda sou eu.